Manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que ocupavam desde a tarde de quarta-feira o hall do prédio onde fica o escritório da Presidência da República em São Paulo, começaram a deixar o local na manhã desta quinta-feira. A decisão foi tomada após o governo interino do presidente Michel Temer anunciar uma nova portaria autorizando a contratação de moradias do Minha Casa, Minha Vida já nos próximos dias.
Em nota, a assessoria de imprensa do Ministério das Cidades nega que a decisão tenha sido motivada pelo protesto, mas o MTST acredita que foi resultado da pressão. "Vitória da resistência popular", comemorou o movimento em uma rede social.
O ato do MTST foi contra a decisão do ministro das Cidades, Bruno Araújo, que no mês passado havia revogado uma portaria da hoje presidente afastada Dilma Rousseff autorizando a contratação de até 11.250 unidades do Minha Casa, Minha Vida.
Após uma manifestação que registrou episódios de violência na quarta-feira, na Avenida Paulista, um grupo resolveu ocupar o local. Parte dormiu no saguão do prédio e outra parte em barracas em frente, na Paulista. A Polícia Militar ficou de prontidão a noite toda. Um único incidente aconteceu na manhã desta quinta-feira: um repórter da rádio CBN foi agredido com um soco enquanto tentava registrar a ocupação.
O comunicado do Ministério das Cidades diz que a decisão de publicar a portaria foi tomada na última sexta-feira. “O texto da nova portaria será publicado nos próximos dias com aprimoramentos, entre eles a maior agilidade de procedimentos e mais segurança na liberação do crédito”, diz o comunicado.
A nota também informa que o ministro Bruno Araújo confirmou para os próximos dias a edição de uma outra portaria que trata de regras de qualificação para o programa Minha Casa, Minha Vida Rural.
Na quarta, cerca de 300 manifestantes, a maioria deles do MTST, entraram no prédio por volta das 15h. Segundo testemunhas, a confusão começou uma hora e meia depois, no lado de fora do edifício, quando um dos manifestantes soltou um rojão e foi detido. A mochila dele tinha outros rojões. Em seguida, um grupo cercou os policiais, que reagiram com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Os PMs também usaram cassetetes para dispersar o grupo. Os manifestantes responderam atirando lixeiras e tijolos na direção dos policiais. Seis pessoas foram detidas, e liberadas no início da noite.
Uma cabine da PM, usada para policiamento da Avenida Paulista, foi derrubada no confronto. Lixo e pedaços de tijolos ficaram espalhados pela avenida. Três das quatro faixas da Paulista foram interditadas. Uma das entradas da estação Consolação do metrô foi fechada. No vidro localizado na entrada do edifício, os manifestantes picharam a frase “fora Temer”.
A ocupação do hall do prédio da Presidência e de uma parte da calçada continuou depois do conflito. Os manifestantes não conseguiram chegar até o escritório da Presidência, que fica no sexto andar.
Fonte: http://www.msn.com/pt-br/noticias/crise-politica/governo-diz-que-contratar%C3%A1-moradias-ap%C3%B3s-ocupa%C3%A7%C3%A3o-do-escrit%C3%B3rio-da-presid%C3%AAncia-em-sp/ar-BBtMbik